Sente que não sabe amar? Entenda a Bondade Fundamental

Você já olhou para as pessoas à sua volta e sentiu que elas têm algo que falta em você?

Talvez você veja famílias se abraçando, casais demonstrando afeto com naturalidade, e sinta uma pontada de tristeza. Como se, para eles, o amor fosse uma língua nativa, e para você, algo indecifrável.

Muitas pessoas chegam ao consultório ou ao meu canal com essa dúvida dolorosa: “Será que eu sou capaz de amar? Será que eu sou ‘frio’ ou ‘quebrado’ por dentro?”

No vídeo de hoje, quero contar uma história real que mudou a minha perspectiva sobre isso — e que envolve, curiosamente, um pequeno canguru.


A História do Homem que Achava que Não Tinha Amor

Havia um homem que cresceu carregando a certeza de que não sabia amar. Desde criança, ele observava os colegas recebendo abraços e beijos dos pais e percebia um abismo entre a vida deles e a sua.

Não que ele passasse necessidades materiais. Sua mãe cozinhava, seu pai mantinha a casa, nada faltava fisicamente. Mas faltava o calor. Faltava o abraço, o “olho no olho”, a escuta atenta. Ele cresceu naquilo que chamamos na psicologia de negligência emocional.

A lógica dele era simples e cruel: “Se eu nunca recebi amor, eu não tenho amor dentro de mim. Como posso dar algo que nunca tive?”

Ele viveu assim até a idade adulta, convicto de sua “frieza”, até o dia em que encontrou um Joey — um filhote de canguru — abandonado e vulnerável no quintal de sua casa, na Austrália.

O Despertar da Qualidade Inata

Ao pegar aquele serzinho frágil, que cabia na palma da mão e precisava desesperadamente de calor para sobreviver, algo aconteceu. Ele não precisou “pensar” em amar. Ele não precisou ler um manual.

Imediatamente, ele sentiu uma onda de cuidado, proteção e ternura invadir o peito. Ele colocou o filhote dentro da camisa para aquecê-lo e cuidou dele até que pudesse ser levado a um santuário.

O que aprendemos com isso?

Aquele homem não “aprendeu” a amar naquele instante. Ele descobriu que o amor já estava lá.

A Bondade Fundamental: O Amor não se Cria, se Descobre

Essa história ilustra perfeitamente o conceito de Bondade Fundamental.

Muitas vezes, achamos que precisamos “consertar” quem somos ou “adquirir” qualidades que não temos. Mas a verdade — apoiada tanto pela psicologia quanto pelas tradições meditativas — é que qualidades como amor, compaixão e sabedoria são inatas.

Elas são a nossa natureza básica.

Imagine que o amor é como o céu azul. Às vezes, nuvens pesadas de traumas, dúvidas, autocrítica e negligência encobrem esse céu. A gente olha para cima, só vê cinza, e acha que o céu azul desapareceu (ou que nunca existiu).

Mas o céu azul sempre esteve lá.

O trabalho que fazemos na terapia e na meditação não é pintar o céu de azul. É apenas dissipar as nuvens. É remover o “pano” que obscurece quem nós realmente somos.

Como a Meditação Ajuda Nesse Processo?

Quando nos sentamos para meditar, não estamos tentando nos tornar pessoas melhores. Estamos nos familiarizando com a bondade que já existe em nós.

  • Reconhecimento: Percebemos as nuvens (os pensamentos de “não sou bom o suficiente”).
  • Acolhimento: Não brigamos com essas nuvens.
  • Conexão: Aos poucos, acessamos aquele espaço de calma e clareza que está por trás do barulho mental.

O nosso bem-estar pode ser treinado. Quanto mais praticamos, mais fácil fica acessar esse amor natural, por nós mesmos e pelos outros.

Um Convite

Se você se identificou com essa história, quero que saiba: você não é “oco” ou incapaz de amar. A sua capacidade de sentir afeto está aí, intacta, talvez apenas esperando o momento seguro — ou o “canguru” certo — para se manifestar.

Assista ao vídeo completo no topo desta página para aprofundar essa reflexão.

Que você tenha um dia maravilhoso, com muita consciência, amor e sabedoria.