Existe um transe perigoso em que entramos quando sofremos de exaustão mental. Você provavelmente conhece a sensação: o corpo pesa, mas a mente gira em uma velocidade alucinante, criando listas, antecipando falhas e repassando conversas antigas.
Nesse estado, parar não parece apenas difícil — parece uma ameaça. O nosso sistema nervoso, sequestrado pelo modo de sobrevivência, nos diz que se pararmos agora, tudo vai desmoronar.
Então, continuamos. Tomamos mais um café e nos arrastamos até o final do dia, tratando o nosso próprio cansaço como um inimigo que precisa ser vencido. Mas, como nos lembra a psicóloga e professora Tara Brach, estar em guerra com a nossa experiência é a raiz do sofrimento.
E se o problema não for o cansaço, mas a nossa recusa violenta em senti-lo?
A Biologia da Exaustão Mental (O Cérebro em Alerta)
Não há nada de “errado” com você por não conseguir desligar. O que acontece é puramente biológico. O seu córtex pré-frontal — a área responsável por resolver problemas — está hiperativo.
Em termos de mindfulness, como descreve Jon Kabat-Zinn, você está preso no “Modo Fazer” (Doing Mode), tentando consertar o seu estado emocional como se fosse um quebra-cabeça lógico. Mas a exaustão não é um problema lógico; é uma experiência fisiológica.
Enquanto tentamos “pensar” uma saída para o descanso, mantemos o sistema de ameaça ligado. E essa tentativa de controle é o que drena a pouca energia que nos resta.
A Autocompaixão como Antídoto
Nesta meditação, não vamos tentar alcançar um estado de vazio ou fingir que a ansiedade não existe. Isso seria o oposto do acolhimento.
Vamos utilizar o que a pesquisadora Dr. Kristin Neff chama de “Autocompaixão Fisiológica”. Ao invés de lutar contra a mente, vamos usar o corpo e a respiração para enviar um sinal físico de segurança.
O convite é para uma pausa radical. Vamos criar uma fenda no tempo para dizer ao seu sistema nervoso: “Eu vejo que você está correndo. Eu vejo o medo. E você está segura para parar.”
Quando paramos de lutar contra o que estamos sentindo, a exaustão mental deixa de ser um monstro e volta a ser apenas uma sensação no corpo — um peso nos ombros, um aperto no peito. E sensações nós conseguimos acolher.
Prática Guiada: Sinalizando Segurança
Eu gravei esta meditação guiada para te acompanhar nesse processo. Nela, eu não vou te pedir para “pensar positivo”. Eu vou te convidar a habitar a realidade do seu corpo exatamente como ele está agora.
Porque é só quando paramos de fugir da dor que podemos, finalmente, atravessá-la.
Se você sente que precisa desse espaço de permissão, a prática está disponível abaixo:
Experimente fazer isso sempre que sentir que a “guerra” interna começou. Não para se consertar, mas para se fazer companhia.
Com carinho,
Rafaela Bongiolo Psicóloga Clínica e Professora de Meditação


